domingo, 13 de janeiro de 2013

19º dia - San Pedro de Atacama (CH) / Susques (ARG)

Acordamos e fomos resolver o problema na motoca.  Passamos silver tape nas setas para que visualmente parecessem que ainda funcionavam, tentando evitar problemas com a polícia... Chegamos na aduana quase 8hs mas só conseguimos sair por volta das 10hs por causa da fila... Enquanto esperávamos, fizemos câmbio por dinheiro argentino pelo menos para os primeiros abastecimentos e estadia.

Enquanto vestíamos as jaquetas e luvas os meninos já saíram... Eu e o Alexandre passamos por eles e começamos a andar na frente. Uma característica do local é a perda de potência nas motos por causa do pouco oxigênio... Eu não conseguia passar dos 110 km/h em quarta marcha pois quando colocava a quinta a moto começava a morrer...

Andamos cerca de 30 km até que percebi que o Pepe sumiu do meu retrovisor. Ficamos aguardando um pouco e ele nos alcançou afirmando que chegou a voltar quase 10 km e não havia sinal do Túlio e do Radan. O Guilherme aproveitou que outra BMW passou por nós e seguiu viagem. Não nos encontramos mais...

Ficamos aguardando no local por quase 1 hora quando os 2 chegaram... A corrente da moto do Radan quebrou de novo e dessa vez em 2 lugares... Pedimos para que eles seguissem na frente para que nós acompanhássemos... Quando fui sair, percebi que meu pneu traseiro estava baixo. Um prego gigante havia furado meu pneu... A urucubaca do Radan é tanta que até esperando ele acontece coisas com a gente...rsrs

O Alexandre foi atrás do Túlio a poucos metros à frente pois ele estava com o compressor . O Radan não parou e sumiu das nossas vistas... Tiramos o pneu para fazer o remendo na câmara de ar e quando pegamos o material para o serviço descobrimos que a cola havia secado e não teria como remendar. Peguei a câmara reserva e para surpresa de todos a câmara não era compatível com a moto (ela me foi vendida errada, era aro 17 mas não era 130/80). O Alexandre foi atrás do Radan pois ele estava com a câmara reserva do Túlio mas rodou 15 km e não encontrou o safado... Decidimos então colocar essa câmara mesmo e ver o que acontecia... Rodamos pouco mais de 3 km antes da câmara rasgar...

Nessa hora até o movimento de agachar para tirar a roda estava me fazendo mal. A falta de oxigênio a mais de 4700 metros de altitude estava me deixando tonto e com dificuldade de executar movimentos simples...

O Pepe lembrou que tinha uma cola e eu lembrei que tinha um reparador de pneu... A solução foi colar o remendo frio e jogar um pouco do reparador dentro da câmara para tentar resolver a situação... Conseguimos resolver o problema e saímos em direção à aduana argentina.

Chegando na aduana, mais de 100 km de onde meu pneu furou, não encontramos o Radan. Regularizamos nossa documentação na Argentina e fomos até o posto de gasolina a 500 metros da aduana para abastecer, comer e ver se o encontrava. Ele também não estava lá e começamos a ficar preocupados. Um casal de São Paulo que estava viajando de moto nos informou que havia passado por uma XT azul a uns 40 km... Depois chegaram mais 3 motociclistas que conversaram com ele e indicaram o posto que fica próximo ao vilarejo chamado Susques para ele abastecer e almoçar. Ficamos um pouco mais tranquilos...

Rodamos mais 120 km até o posto e não encontramos nem gasolina nem o Radan. Voltamos a ficar preocupados com ele... Decidimos ir até Susques para ver se o encontrava e para completar o tanque da motoca, já que até San Salvador de Jujuy tínhamos mais 200 km...

Um quilômetro antes da vila avistamos a moto do Radan. Ele havia se hospedado em uma pousadinha na beira da estrada, imaginando que havia acontecido alguma coisa com a gente e que tínhamos voltado para San Pedro. Tínhamos que decidir o que fazer já que dispúnhamos apenas de mais 2 horas de sol e ainda estávamos a mais de 4000 metros de altitude... Eu e o Alexandre sugerimos descer até Purmamarca (130km) ou até San Salvador (200 km) mas o Pepe fez uma ponderação muito importante. Estávamos com uma moto com corrente remendada e outra com a câmara meio tabajara. Caso acontecesse alguma coisa na descida, estaríamos enrolados à noite na cordilheira... Decidimos ficar em Susques...

A pousada que o Radan ficou não tinha quartos suficientes, era muito cara para compartilhar o único quarto que havia e as acomodações desse quarto eram horríveis. Fomos para o vilarejo e encontramos acomodações razoáveis no hotel El Kactus.

No hotel encontramos com o Hector, um rapaz de Ushuaia que estava subindo a Argentina numa honda Africa Twin, com um roteiro projetado para passar, em sua maioria, por estradas de rípio... Conversamos muito com ele e pegamos informações sobre a ruta 81, estrada que cruza a parte alta da Argentina, saindo em Formosa. Ela é paralela à conhecida ruta 16. Como o pessoal deu pressa de ir embora e não iríamos mais passear em Salta, Resistência e depois em Foz do Iguaçu, passando pela ruta 16, o roteiro mais próximo à Assunção/Paraguai seria passando pela ruta 81... Ele nos disse que ela está em excelente estado de conservação mas que deveríamos ter muito cuidado com animais na pista...

Comemos uma pizza no hotel e fomos descansar. O dia hoje foi complicado...


Distância do dia: 293 km
Odômetro: 6649 km

Gastos:

Combustível R$ 59,00
Hotel R$ 63,00
Almoço R$ 29,00
Jantar R$ 27,00

Total R$ 178,00

Total Geral R$ 6071,00





























Fotos com data na parte inferior direita são de autoria do casal Túlio e Lú.

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