terça-feira, 12 de julho de 2011

Classificação de parapentes

Antes de descrever a classificação irei falar de duas importantes instituições, a FAI e a DHV.

FAI - Fédération Aéronautique Internationale (The World Air Sports Federation) - Fundada na França em 1905, é uma entidade não governamental que promove e regulamenta mundialmente as atividades aeronáuticas e espaciais. Basicamente ela regulamenta e homologa recordes mundiais e eventos esportivos nas várias modalidades aéreas: balonismo, voo livre, aeromodelismo, pára-quedismo, astronáutica, asa delta, ultraleves e girocópteros. Seu lema é: "mais longe, mais rápido, mais alto"(www.fai.org)


DHV - Deutscher Hangegleiterverband E. V. - Órgão alemão não governamental que regulamenta e homologa tudo em relação a asa delta e parapente. Os serviços prestados pela DHV são : homologação de parapentes, asas e pára-quedas reserva, registros e análises de acidentes, divulgação e controle de campeonatos dentro e fora da Alemanha, divulga práticas de voo, mantém um serviço de classificados para venda de equipamentos, ministra cursos de voo e aplica testes em pilotos. Praticamente todos os fabricantes mundiais de asas e parapentes fazem homologação por esta entidade. A classificação que adota é classe 1, 2 e 3 e classificações intermediárias 1-2 e 2-3 sendo o 1 um equipamento muito fácil de pilotar e o 3 muito difícil, necessitando de pilotagem sempre ativa e respostas muito rápidas do piloto frente a incidentes de voo. (www.dhv.de)

O interessante é que a classificação é feita pelo pior resultado nos testes.  Caso um parapente tenha quase todos os quesitos classificados como DHV1 e um deles foi classificado como DHV1-2 ele terá sua classificação final como DHV1-2.  É por isso que um DHV1-2 de uma fábrica pode ser muito mais "manso" que um feito por outro fabricante.

Atualmente existem dois padrões de testes, o DHV e o padrão europeu EN.

Saída de Escola – (DHV / LTF 1 / *EN A)

Criado para uso de pilotos iniciantes, com pouca experiência no voo livre, que não enfrentaram condições adversas e não possuem reflexos e condicionamento de pilotos que voam a mais tempo. Este tipo de equipamento demora menos tempo para entrar em voo novamente quando em condições de panes como, assimétricas, esteiras e turbulências em geral. Estes equipamentos praticamente “voam sozinhos”, dispensando uma pilotagem ativa por parte do piloto.

Parapente Intermediário – (DHV / LTF 1-2 / *EN B)

Para pilotos que já voam a algum tempo e conhecem um pouco mais do voo livre fazendo voos em térmicas e desejam mais desempenho. Geralmente é o segundo parapente de todo piloto. Estas velas geralmente têm um bom nível de segurança (quase como os saída de escola), mas por serem mais velozes, com maior planeio e mais alongados exigem um piloto mais qualificado.

Parapente Avançado ou Performance Seguro (DHV / LTF 2 / *EN C)

Bom, este aí é certamente para pilotos mais avançados como o próprio nome diz. Ele precisa de um piloto atento e ativo para controlá-lo e apesar de seu bom nível de segurança não irá ajudá-lo quando você mais precisar. Normalmente o piloto é que ajuda a vela avançada a se comportar.


Parapente Avançado ou Performance (DHV / LTF 2-3 / *EN D)

Parapentes que possuem uma maior velocidade dos homologados, necessitam de pilotagem ativa. Uma pane assimétrica pode resultar em um efeito cascata que se não administrada pode ter sérias consequencias. Indicado para pilotos com muita frequência de voo.

Parapente de Competição

Nem precisa explicação. Estes são feitos para pilotos de competição, que estão acostumados com voo em situações de turbulência e com muitos anos de voo.

Conversão para LTF, DHV, EN

LTF e DHV utilizam a mesma norma e o mesmo processo de certificação - assim a conversão é direta:

LTF-1 = DHV-1
LTF-1/2= DHV-1/2
LTF-2 = DHV 2
LTF-2/3= DHV 2/3
LTF-3 = DHV 3

*Não existe conversão direta entre EN com LTF pois são normas diferentes.

Na europa será adotado no futuro classificação EN (classificações A-B-C-D)

EN A = DHV 1
EN B = DHV 1 OU DHV 1-2
EN C = DHV 2 OU DHV 2-3
EN D = DHV 2-3 OU DHV 3

Então a classificação e orientação para uso é:

* Velas escola e saida de escola A ou B (já que vela B pode ser usada para dar aula sse assim o fabricante concordar)
* Vela intermediaria basica B
* Velas sport C
* Velas performance D
* Competitions/open

Fontes: VentomaniaGuiadevoo

sábado, 2 de julho de 2011

4ª aula - Curso Piloto de Parapente

A aula neste sábado foi no período da manhã. O vento estava fraco mas dava pra treinar reversa. Senti grande dificuldade para inflar a vela pois eu precisa correr mais para que ela subisse e jogar o peso sobre a selete não estava fazendo efeito. Depois o instrutor me falou porque isso estava acontecendo: a) A vela era para um peso maior que o meu, dessa forma eu estava leve demais para a vela, não conseguindo inflá-la forçando meu peso na selete e b) ela era uma DHV 2, que necessita de mais velocidade para inflar. Ele fez isso para que eu percebesse a importância de se utilizar um equipamento correto tanto para meu peso quanto para minha experiência de voo.

O instrutor solicitou que eu treinasse a inflagem alpina. Depois dos exercícios ele perguntou se eu queria treinar no morrote. É claro que minha resposta foi positiva. O treino no morrote é importante pois é lá que treinamos a decolagem e o pouso. Esse convite para treinar no morrote foi muito importante para mim pois mostra que o instrutor está percebendo minha dedicação e entusiasmo no treinamento. Geralmente se leva de 2 a 3 meses para começar no morrote...

Coincidentemente ou não, foi só subir para o morrote que o vento começou a ficar muito forte...Foi a primeira vez que senti o vento dessa forma no treinamento.

No primeiro salto, a vela brincou comigo, me levando para onde ela queria. O instrutor me disse que isso aconteceu porque não posicionei a vela corretamente contra o vento e na hora da decolagem sai com vento lateral. Além disso não atuei ativamente nos comandos da vela.

No segundo já comecei a pegar o jeito do negócio. O instrutor me passou outras dicas de posicionamento pois estava freando demais, mas desta vez a vela já foi onde eu quis.

Na terceira tentativa já obtive meus primeiros 4 segundos de voo livre...Depois que o instrutor me orientou para que eu sentasse na selete, tive a sensação de que esse curso é o que eu realmente precisava. A sensação de estar voando é indescritível. Pena que o tempo do treino estava chegando ao fim...

Esse foi meu último salto do dia. Tive a instrução de como dobrar a vela com vento forte e sozinho...Valeu a experiência.

Agora saio de férias e só volto na última semana de julho...É segurar a ansiedade e economizar o máximo possível para começar a comprar os equipamentos no mês que vem...Mais uma vez deixarei a motoca parada em casa para viajar com a família de carro. A bixinha já está ficando com saudades de viajar...Fazer o quê, família em primeiro lugar...

domingo, 19 de junho de 2011

3ª aula - Curso Piloto de Parapente

A aula deste domingo foi no período da manhã. O vento estava fraco mas dava a oportunidade de também treinar reversa. Inflei a vela exaustivamente em alpino e reverso. A repetição elimina o erro...

A Janaína, aluna que já está mais ou menos no meio do curso, me deu uma dica muito interessante para executar na hora da inflagem: ao invés de correr para inflar a vela, basta esticar os tirantes "a" ,puxá-los para si e ao mesmo tempo gerar um peso sobre a selete. Dessa forma a vela infla sem a necessidade de dar nem um passo... Claro que é necessário um pouquinho de vento...Isso me ajudou demais...rs

Só de não precisar ficar correndo facilitou bastante...

Notei que os alunos desanimam rápido quando o vento não ajuda...Acho que minha empolgação em ver a evolução no controle da vela não me deixou desanimar...É claro que o desgaste físico foi gigante, mas perceber que vc já está entendendo o comportamento da vela é contagiante...

Acabei de ler o livro "Manual do Parapente Obediente", de Kurt W. Stoeterau, um dos grandes instrutores de SIV do Brasil. O livro auxilia a criarmos uma "competência incosciente", automatizando movimentos para auxiliar a evitar e/ou sair de certas panes durante o voo. Gostei muito do livro. Comecei também a ler o livro "Voando de Parapente", por Silvio Ambrosini - o Sivuca, também grande instrutor de parapente e SIV. Este livro pode ser considerado como material didático devido à grande quantidade de informações sobre todas as áreas do voo, desde a história do esporte até o estudo de meteorologia, aerodinâmica, movimentos pendulares, etc. Vale a pena lê-lo...

Solicitei ao meu instrutor que fizesse o orçamento dos equipamentos necessários para começar o voo para que eu possa ir me programando e para começar a procurar no mercado equipamentos usados.  A minha ideia inicial é adquirir uma vela DHV1, ou saída de escola, usada para depois de alguns meses pegar uma DHV1-2 nova para ficar alguns anos com ela.  Irei fazer uma postagem para explicar melhor essas siglas...  A selete irei comprar nova, já que é um equipamento que pode ser utilizado por anos.  A vela e a selete que pretendo usar são fabricadas no Brasil pela Sol Paragliders.  A vela seria a Primus3 e a selete a Spring2 AirBag.  Além de ser equipamentos de excelente qualidade a origem nacional pesa um pouco na hora da manutenção.

Acho que por hoje é só. Agora é aguardar a próxima aula, que será só dia 2 de julho pois no fim de semana que vem será realizado o 2º Open de Parapente no Vale do Paranã...